quarta-feira, 13 de junho de 2012

PORQUE OLAVO DE CARVALHO TEM RAZÃO.



PORQUE OLAVO DE CARVALHO TEM RAZÃO.

Este texto foi motivado pelas “críticas” que tenho visto na internet ao Filósofo Olavo de Carvalho. Mas antes que digam que tenho algum interesse pessoal nisso, quero dizer que não o conheço pessoalmente, e certamente ele sequer saiba da minha existência, o que significa dizer que as observações a seguir, não têm a menor pretensão de defender quem quer que seja, por motivos de relacionamento ou de ordem pessoal, (mesmo porque o Sr. Olavo nem precisa disso).

Portanto, pretendo tão-somente relacionar as “criticas” veiculadas, a uma anomalia cultural e intelectual crônica do brasileiro, incluindo aí a classe dita letrada. O que no fim das contas, confere ao Sr. Olavo de Carvalho toda razão no que vem dizendo sobre este tema.

Tenho observado, já de longa data, que nós brasileiros temos a pérfia de negarmos a nós mesmos, somos experts em negarmos o que há de bom em nós e entre nós, e por conseqüência imediata, em ressaltar e cultivar o que há de ruim ou supervalorizar o que há de baixa cultura. Parece que temos predileção pela baixa intelectualidade, pelo pensamento menor. E aí começa a razão do Sr. Olavo de Carvalho, quando diz (em outras palavras) da imbecilidade do brasileiro ou que o brasileiro parece negar o conhecimento.

Diferente de outros países que exaltam e promovem mundialmente seus patrícios ilustres; Cientistas, Esportistas, Escritores, Filósofos, Artistas e até inventores, sobre todos, os EUA, o Brasil se esforça no trabalho contrário. Esforça-se em aniquilar, desqualificar, promover ao ostracismo e até ridicularizar os seus raros representantes de alto nível. Desprende-se uma energia descomunal para abater representantes da rara inteligência nacional de toda e qualquer área; artística, literária, científica e também filosófica, como o que se faz com o Sr. Olavo de Carvalho, Marilena Chauí e Milton santos – este, chegou a morrer no anonimato para muitos brasileiros - isso só para citar alguns nomes.

O fato é que o primeiro impulso é sempre o de menosprezar o outro, não com críticas fundamentadas em estudos e reflexões sobre dados da realidade e das idéias defendidas por este, mas sempre em bases emocionais negativas ou ideológicas e até religiosas.

No Brasil julga-se não as idéias do outro, mas o outro em si, julga-se antes sua pessoa, e não seu pensamento. Desconsidera-se os conteúdos axiológicos ou epistemológicos daquilo que se pensa e diz e, se apegam à forma, às palavras e até aos meios em que as  idéias são expressadas, em detrimento mesmo, do conteúdo delas. 

Não são críticas que oferecem o contraditório para o debate em alto nível dialético, mas rixas e ataques pessoais gratuitos, fortuitos, motivados ao que parece, por um recalcado sentimento de inferioridade típico do vazio profundo de almas que se sentem menores ante a grandeza alheia. São “críticas” que trazem sempre um tom atrasado da velha diminuta intenção de desqualificar e tentar apequenar o outro para que se possa se nivelar a ele, no caso por baixo.

No Brasil nega-se o conhecimento, foge-se do debate de alto nível e esconde-se as mazelas da baixa cultura nacional por debaixo dos tapetes verdes dos campos de futebol e das máscaras do carnaval.

Senão vejamos se tenho razão: Já observaram que as “críticas” ao Sr. Olavo são vazias de fundamentações e se referem e prendem-se na forma daquilo que ele diz, abandonando o conteúdo e as raízes mesmas de suas idéias? Já perceberam que preocupados com a estética de seus meios, esquecem a finalidade ética da sua ação?

São “críticas” quase sempre motivadas não por idéias contrárias a dele, embora digam que sim, mas percebe-se que o motivo é outro, trata-se de um tipo qualquer de despeito e de vaidade ferida. Atos típicos de uma inteligência anímica, da anomalia da cultura intelectual brasileira. Em verdade não são críticas, mas, sofismas, no máximo doxas.  Conseqüências disso? O retrato de uma baixa cultura crônica, para não dizer de ignorância sistêmica.

Outro exemplo são os programas de entrevistas e debates na televisão. São sempre falas politicamente corretas que circundam a questão central e essencial, sem nunca haver ou atrever abordá-las e muito menos tecer críticas mais elaboradas sobre elas. Parecem scripts decorados de folhetins das seis. Com convidados que pouco acrescentam ao senso comum. Convidam de celebridades anônimas de reality shows a comentaristas de qualquer coisa, menos o Sr. Olavo de Carvalho, por exemplo.


Outra demonstração muito comum de nossa estupidez é aquela em que o “crítico” cria um estereótipo do criticado, dogmatizando-o antes, como defensor dessa ou daquela corrente ideológica e daí, julga não o pensamento próprio deste, mas sim as características da corrente que supostamente ele defende. Ora, é o típico caso da lógica invertida da metonímia, substituir o abstrato pelo concreto. Usa-se esta estratégia porque é mais fácil criticar o abstrato-histórico como - Correntes ideológicas - que debater sobre idéias concretas de um outro, presente e pronto a aceitar o debate. Que se dedique a defender a direita, o centro ou a esquerda pouca me importa. Antes das correntes ideológicas me interessa a estrutura filosófica do autêntico pensamento crítico.

Pois bem, o Sr. Olavo de Carvalho é sim, um dos principais filósofos do Brasil e talvez do mundo, e deveríamos nos orgulhar de tê-lo como Filósofo brasileiro, capaz de debater com qualquer outro de qualquer lugar do planeta, sobre diversos temas e com propriedade e conhecimento de causa. A pesar dos pesares, junto a Milton Santos e mais uns poucos, ele nos coloca na lista da intelectualidade e do pensamento filosófico mundial, sem ficarmos a dever nada a ninguém. Só mesmo uma cultura que nega e até debocha de si mesma, como se vangloriasse de sua própria estupidez, poderia negar isso!

Tenho críticas a várias idéias do Sr. Olavo, assim como tenho de vários outros filósofos, não cabe aqui descrevê-las, não é o tema deste exame e nem haveria espaço para as fundamentações necessárias. Mas, não podemos negar as virtudes que precedem um filósofo de verdade e, no caso do Sr. Olavo, estas virtudes superam e muito seus defeitos e erros. Só para citar algumas, destaco: a coragem, a sensibilidade pelos problemas humanos e brasileiros, a busca honesta pela verdade, a agudeza de espírito, a justiça como princípio norteador de sua ação, a capacidade de julgamento e fundamentação crítica, a capacidade de investigação profunda, de relação e argumentação lógica e histórica, sem perder de vista a ligação com a realidade imediata, local e mundial, particular e universal, junte aí, a ação desprendida e ao mesmo tempo quase obcecada pelo conhecimento e esclarecimento seu e do outro, o desprendimento em rever e assumir seus enganos, porém, sem negar ou corromper seus princípios e valores fundamentais, mas sempre os reexaminando a luz da realidade e dos mais altos interesses da coletividade humana, por fim, destaca-se a sinceridade. Aliás, sinceridade é um termo que se liga por analogia, à expressão “sem cera”, “sem máscara”. E não é exatamente isso que o Sr. Olavo de Carvalho tem feito? 

Vejamos dois exemplos: quanto à coragem. Ora! Que outro Filósofo ou intelectual brasileiro do nível do Sr. Olavo teve a coragem de colocar a cara para bater em rede mundial todas as semanas durante anos? Ele poderia como é de praxe neste meio, ficar no anonimato confortável de uma Universidade qualquer, alimentando um ego menor, na bajulação de fãs universitários, longe da linha de ataque de críticas e avaliações de toda ordem e lugar sobre seu trabalho. Como acontece com a maioria que treme de medo com a simples idéia de publicar um texto que exponha suas opiniões ao grande público local.  Mas não! Em um ato raro de coragem intelectual e de responsabilidade ética com a Filosofia e consigo mesmo, foi para a ágora eletrônica e se expôs, escudado por seu conhecimento e capacidade argumentativa. Agora, fica fácil criticá-lo sem fundamentação, quando sempre se acovardaram em seus espaços de conforto. Esquecem que filosofar requer coragem!

Quanto à sinceridade. Quem, da dita alta intelectualidade teve a sinceridade de tocar na ferida do baixo nível cultural brasileiro? Há outro pensador (a) brasileiro (a) que teve esta atitude de honestidade com esta sociedade? Alertando-a e a convidando a reflexão sobre esta anomalia degradante que sofremos? Não! Acredito que muitos pensam como ele, mas só ele foi sincero ao dizer e assumir esta tese em rede mundial. E pelo que sei, até então ninguém o convidou para um debate no sentido de contrapor estas idéias. Então só posso inferir que, pela omissão, aceitaram sua tese, só não assumem que concordam. Preferem o lugar politicamente correto no cume dos muros das lamentações e dos ataques depreciativos sem razão de ser. Chamo a isso de hipocrisia intelectual. – Para ser Filósofo é preciso ter sinceridade de propósito. - As demais virtudes citadas são claras e notórias, por isso, é desnecessário reafirmá-las aqui.

Imaginem vocês, o quão rico para a cultura filosófica brasileira e para a formação dos cidadãos e da nossa minúscula democracia, se outros filósofos e filósofas tivessem a coragem e sinceridade intelectual do Sr. Olavo e também expusessem suas idéias e reflexões livremente para a população em praça pública? - pelo meio eletrônico da internet. Imagine debates sistemáticos entre Filósofos e Filosofas do nível do Sr. Olavo, sobre temas de grande relevância para o povo e acessíveis na rede mundial? Ao invés disso, o que se vê espalhado por toda rede? Ataques desprovidos de justificativas e sem parâmetros com a realidade dos fatos, críticas sem exame do objeto criticado.

Por fim, digo; o Sr. Olavo de Carvalho tem toda razão no que diz sobre este tema, e a prova maior disso, é que ele próprio é vítima de sua crítica, como se fosse o “objeto” vivo que a confirma no momento em que é atacado pela imbecilidade e ignorância que tanto combate.
Por: Westerley  Santos
Prof.Filósofo. MG/Br


2 comentários:

  1. Oi Westerley. Permita-me fazer algumas ponderações.

    Acredito que o maior problema da filosofia no Brasil seja uma atitude subserviente de pensar que "filósofos são os outros". Não conheço a obra do sr. Olavo de Carvalho, mas fora do universo dos "filósofos da mídia" (Chauí, Cortela, Carvalho) existem alguns brasileiros que são referência em algumas áreas da filosofia, como o professor Newton da Costa, Leonidas Hegenberg ou Silvio Chibeni. Da Costa (para ficar em um exemplo) é nome de peso na lógica, tendo desenvolvido a lógica paraconsistente, razão pela qual é citado em periódicos internacionais (digite "Costa" na Stanford Encyclopedia of Philosophy para ter uma ideia de quantos artigos se referem a ele em problemas de lógica e filosofia da ciência.)

    Mas há um tipo de prática muito comum na maioria dos países em que a filosofia é uma disciplina levada a sério: os filósofos atuais se leem e se criticam mutuamente, avaliam os argumentos de seus colegas, escrevem resenhas dos livros publicados, promovem congressos para discutir as questões filosóficas e as principais respostas atuais a tais questões. Quando um filósofo A se interessa pela resposta do filósofo B e refuta-a com bons argumentos, isso é tido como um favor: o filósofo B sente-se agradecido por terem reconhecido uma falha no seu pensamento, ou sente-se motivado a mostrar uma versão de seu argumento imune aos ataques do amigo/adversário. Pessoas que discordaam imensamente entre si são ótimos amigos.

    E não é uma questão de nacionalidade que importa, mas uma maior ou menor habilidade de defender uma postura filosófica.

    Acredito que precisamos no Brasil dessa postura de humildade/atrevimento intelectual: não ter medo de errar e nem de ser filósofo, mas igualmente não ter medo de ouvir críticas e de reconhecer quando seus caminhos deram em lugar nenhum.

    Bom, nada disso torna o pensamento de Olavo de Carvalho melhor ou pior, mas certamente tornaria a nossa filosofia mais séria.

    Abraços,
    Tiago

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  2. Olá Tiago.
    Prazer em comunicar com você ainda que não nos conheçamos pessoalmente.
    Achei muito pertinente sua colocação e concordo em grande parte, em outras tenho uma visão diferente e repasso para ajudar nesta reflexão.

    Percebo o contrário. Acho que no Brasil o problema é justamente que muita gente se intitula Filósofo e enchem auditórios e programas de TV para falarem qualquer coisa em nome da Filosofia. Enquanto os verdadeiros Filósofos são achincalhados.

    Não considero (M.Chauí e Carvalho) “filósofos de Mídia”, ao contrário, pouco os vejo na mídia. Vejo sim; não-filósofos, celebridades de reality-show, dançarinas etc... Olavo por exemplo, construiu seu próprio espaço na internet, creio, justamente por não ter espaço na mídia oficial. Marilena Chauí me parece mais de bastidores ou acadêmica.

    Sei que na Europa e nos EUA o debate filosófico é em nível melhor (não pessoal), foi o que disse no meu texto, ao contrário do Brasil que qualquer opinião ou crítica que se faça ao modelo de pensamento padrão aqui é levada para o campo pessoal e logo você é rotulado de polemista, louco, etc.. Observe você mesmo no dia a dia, é freqüente discorde de uma idéia e logo vão isolá-lo ou rotulá-lo de radical, ficarem com raiva de você como se sua avaliação fosse sobre a pessoa e não sobre as idéias. Não digo que isso é coisa de Nacionalidade, no sentido do conceito ou categoria abstrata, mas no sentido cultural de um povo ou da “baixa cultura de um povo”.

    Quanto à seriedade da nossa Filosofia; primeiro precisaríamos ter uma, para depois ver se ela é séria. Vejo que cometemos um engano recorrente; costumamos achar que um modo de falar despojado das normas ditas cultas, ou de modo descontraído, é sinônimo de falta de seriedade.

    Entendo que o modo ou meio de expressão de uma idéia não representa necessariamente a seriedade ou valor de verdade desta idéia. Veja nossos Políticos, tudo que dizem, principalmente em época de eleições é de modo extremamente sério. Aliás, desconfio muito dos modos muito sérios de colocar uma idéia, o que não quer dizer que concorde com os palavrões que o Olavo de Carvalho usa em suas análises e crítica, acho que ele exagera um pouco. Mas consigo extrair do seu pensamento o que realmente importa é isso que seus críticos não percebem!

    Por fim, quanto a receber ou não críticas; digo que no Brasil há um esforço de alguns em colocar suas investigações, após um imenso trabalho de pesquisa, estudo e reflexão e um esforço inversamente proporcional para “criticar” este trabalho sem ter ao menos investigado, pesquisado, estudado o assunto. É no nível da opinião do senso comum, fundamentada no “eu acho” e chamam a isso de crítica e se o sujeito não aceitar ele é considerado um resistente à críticas.

    Grande Abraço!

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Olavo de Carvalho

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Sergio Cortella

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