sábado, 3 de dezembro de 2011

CRISE DE AUDIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO OU FARSA IDEOLÓGICA?

                       A CRISE DE AUDIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO OU FARSA IDEOLÓGICA?
                                                                                        
                     A Estratégia de Criar Problemas para depois Apresentar  a Solução.

Começou uma Campanha ideológica nacional para fins mercadológicos contra o Ensino Médio Público.  A idéia é destruir o formato atual em que ele está estruturado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação- (LDB/ 9.394/96), que o estrutura em bases humanísticas de formação do cidadão para colocar no lugar, um ensino de formação técnica de mão de obra jovem e barata para o empresariado. Usando a rede escolar do Estado e jogando a fatura deste investimento nas costas da sociedade.

A estratégia é a de sempre, alegar uma CRISE no Ensino Médio Público e apontar os Professores como principais culpados pela suposta “crise”. De quebra, a campanha veiculada na mídia, principalmente pela internet, tenta justificar a adoção de processos meritocráticos de avaliação dos professores, com punições para os piores e premiações para os melhores - (uma forma de manter os salários baixos para o magistério).

Assim, está delineado o mais novo plano de ataque neoliberal à educação e aos professores. Após a manipulação midiática da sociedade e acordo com autoridades políticas e de escolas particulares, o próximo passo certamente será uma proposta de solução para o “problema”, que nesta altura já está pronta, qual seja: mudança no currículo para atender as necessidades de mão de obra qualificada de um empresariado que não quer investir seus recursos em capacitação de seu quadro funcional, passando a responsabilidade para o Estado e a fatura para a sociedade. Sem aumento de salário para os professores, é claro!

Tudo isso, sob a velha bandeira ideológica de melhorar o Ensino. Mas, que na verdade, trata-se da mais nova investida do plano neoliberal de interesse empresarial, agora na educação.

Esta campanha é uma estratégia de manipulação das massas pela mídia, estudada e elencada pelo filósofo norte americano Noam Chomsky. Em seu estudo o filósofo apresenta “10 estratégias de manipulação das massas através da mídia”. Desta lista pelo menos cinco estratégias estão sendo utilizadas diretamente nesta campanha de destruição do Ensino médio. Vejam algumas: (destaque para a nº 7)

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES. Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação
 quando chegue o momento.

 
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria
desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas
capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o
sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um
estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E,
sem ação, não há revolução!
Pois bem! Estas afirmações não são meras ilações ou pressentimentos de um visionário diabólico. - Antes fossem! São fatos, constatações, informações anunciadas em alto e bom som, há um público de aproximadamente 500 pessoas da área da Educação de todo o Brasil, com toda pompa de um seminário Empresarial realizado em São Paulo (17/11), com a apresentação dos signatários e do subsecretário de assuntos estratégicos da Presidência da República, representando o Ministério da Educação- MEC.

Trata-se do primeiro instrumento a ser utilizado para ampla divulgação e campanha que já começou por meio midiático nacional com publicações semanais de artigos e fascículos de uma pesquisa quantitativa (ver site WWW.cenpec.org.br/biblioteca/educacao/estudos-e-pesquisas/a-crise-na-audiencia-no-ensino-medio) para convencer a população e autoridades, de que há uma crise no ensino médio.

A pesquisa foi elaborada em 2010 pelo IBOP- (instituto Paulo Montenegro), a pedido do Instituto Unibanco e durou aproximadamente dois meses com observações em 36 turmas do Ensino Médio de 18 escolas, de três grandes centros metropolitanos, não informados. (possivelmente MG, RGS e SP)

Segundo anunciado no seminário em São Paulo, o objetivo da pesquisa foi descobrir as causas da evasão e do baixo rendimento dos alunos do Ensino Médio, mas, ao fim, responsabiliza o professor (conforme a estratégia de manipulação nº 9, acima) pelo suposto problema, chamado de “Crise de audiência do Ensino Médio”. (conforme  estratégia de Manipulação nº 2, acima)

Para mostrar a verdadeira intenção desta campanha ideológica publicarei em breve uma análise crítica completa da pesquisa para expor os absurdos e equívocos anunciados. Minha intenção é demonstrar a manipulação que há por trás da idéia de “crise do Ensino Médio”, analisando criticamente o processo, demonstrando a invalidade da pesquisa, os erros das proposições e das premissas usadas, os erros conceituais, de paradigma, de concepções de tempo em educação, de aula, escola ensino e aprendizagem.

Demonstrarei que não há crise no Ensino Médio, há sim um plano de manipulação implantado para transformá-lo em fábrica de capacitação técnica de baixo nível para os interesses empresariais/neoliberais.

Demonstrarei o que está por trás do ataque de responsabilização e culpabilidade do professor,  e ao fim, apresentarei uma investigação sobre a real intenção política e econômica que motivou e motiva a pesquisa e a campanha de destruição do Ensino Médio Público nas bases humanistas atuais.

Será uma longa jornada, mas necessária para esclarecer, alertar e oferecer à sociedade, aos professores, sindicatos e defensores da Educação, a possibilidade do contraditório, necessário a uma reflexão crítica verdadeira. Mostrando que não há crise no Ensino Médio brasileiro, desvelando ao mesmo tempo, as verdades ocultas subjacentes a esta campanha ideológica que tenta desqualificar professores e o Ensino, para fins e interesses meramente empresariais/neoliberais/mercadológicos em detrimento a formação para a cidadania e para  construção de uma consciência crítica com base nos valores mais humanos para a vida em uma sociedade complexa.  Aguardem!
                     Prof./Filósofo – Westerley A. Santos
19/11/11


4 comentários:

  1. Salve a todos,
    em especial ao camarada Westerley.
    Estou para escrever desde que foi postado as análises do EM. Vi os videos, achei interessante a pesquisa realizada. Depois de ler suas ponderações reflito que me faltou o senso critico que aplicou e traduziu tão bem. De forma que estarei fazendo um contraponto a partir de suas considerações, mas não sem antes ressaltar o valor e a importância da desconstrução que fez ao discurso e a lógica dos videos.
    De todo modo, não sei ainda, talvez por ingenuidade, até que ponto isso é um ataque ao ensino médio e aos professores, mesmo porque acho que o EM deva ser atacado tento enumerar as razoes e os motivos:
    1- Nós temos uma escolarização muito ampla, muito vasta e com pouco impacto no que tange a aproveitamento. Estou me referindo ao fato, por exemplo, de que pouco ou nenhum país estuda geografia e história mundial, álgebra, trigonometria e outros que achamos fundamental o aluno saber. Em outros lugares o ensino é mais pontual, consequentemente, mais qualificado. A fórmula empregada é saber muito de pouca coisa ao inverso da nossa que busca saber de tudo e acaba que sabemos muito pouco de nada, pois o saber fica diluído. Ou seja, privilegia-se o domínio conceitual, o saber mais especifico que vai ampliando depois. Fazemos o inverso e conseguimos doutores especialistas no olho esquerdo da drosophila. Embora o PCN nos remeta a esse caminho, o de dominar os conceitos fundante das disciplinas, o que se observa é que falta, até mesmo aos professores, esse domínio. Assim, ensina-se história, geografia, matemática, português, outros e os alunos saem na sua maioria sem a compreensão conceitual do que lhes foi apresentado: tempo, espaço, quantidade, narrativa, discurso. Esta reflexão aponta o dedo para outro problema sério, o ensino superior.
    (Continua...)

    Kélsen A.

    universofiholosofico.blogspot.com

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  2. (Continuando...)

    1.1- Há uma tensão instalada, ou acirrada pela 5692/71, que posiciona de um lado os defensores do ensino técnico e do outro os defensores do ensino acadêmico. No final perdem todos, porque o EM da forma posta é um beco sem saída. Quem não vai à universidade "perdeu" três anos de vida, porque nem digitar se aprende, se ensina. Em suma, depois de três anos, o aluno não esta pronto para trabalhar e muito mal preparado para a vida acadêmica. O fato mais complicado é que hoje a maioria dos alunos saindo do ensino médio estão buscando no pós-médio, o ensino técnico. É um modelo fracassado.
    Teço as segundas considerações, agora relativas a desconstrução que realizou referente ao erro metodológico e conceitual da pesquisa ao confundir aula com audiência. Mas, mesmo concordando completamente com você, eu ao ler sua argumentação fiquei pensando....
    Mas não é isso que os professores anseiam? A saber, serem ouvidos por uma "massa" cativa, silenciosa e inerte?
    Enquanto ia lendo suas argumentações, em especial, as que distinguia aula de audiência, fiquei torcendo, silenciosamente, que nossos colegas de área, de associação, ao lerem suas ponderações tenham visto a dialética fundante, dialógica, fundamental para o ensino da Filosofia. Espero, intimamente, que cada um de nós tenha subentendido ali nossa prática. No entanto, ter uma platéia silenciosa não é de forma geral a expectativa do professor de Matemática, de Física, ou de outras áreas ( não considere as exceções, que são inúmeras)? Não é isso que se deseja?
    De forma que, a medida em que ia te lendo, firmava uma convicção de que o sonho de grande parte dos professores é ter de fato essa atenção cativa, bancária. Esta é uma situação tão dramática que se nós enquanto profissionais não recuperarmos nossa função, a consciência da nossa função, temo que em alguns anos possamos vir a ser substituídos por monitores de tela plana: não faltam, não reclamam, não fazem greve, podem ter mais resolução, informação.
    Pesquisadores americanos já apontaram essa tendência desde a década de 80. Para não soar completamente absurdo, nas décadas de 80/90 vimos dois movimentos, um que tentava chamar os bancários para uma consciência mais clara do papel e função deles junto ao público em geral e a dos trocadores na década passada, respectivamente substituídos por caixas eletrônicos e roletas informatizadas. É sabido até no reino mineral que no processo de industrialização, desde o seu inicio, a tendencia natural é a substituição dos homens pelas máquinas. A única coisa que nos faz insubistituiveis é a relação, a interação que estabelecemos com os outros. É somente mantendo o aspecto humano, dialético, dialogico, interativo, que é a razão (creio eu) do ensino-aprendizagem que nos tornamos e nos fazemos significativos. Mas, há uma renuncia silenciosa desse papel, dessa função, dessa atividade, desse papel pedagógico e humanizador. Sem ele somos peças de uma engrenagem que pode facilmente ser descartados.
    abraços.

    Kélsen A.

    universofiholosofico.blogspot.com

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  3. OS RECENTES ATENTADOS CONTRA A ORDEM PUBLICA EM SP REFORÇA SUA IDEIA. DEIXAR A CIDADE SE CONSUMIDA EM CHAMAS PARA DEPOIS INVESTIR NA SOLUÇAO.

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  4. Caríssimo. É com pesar que tenho acompanhado os verdadeiros atentados terroristas em SP. Acho apenas que a população está demorando para tomar providências, se organizar e ir as ruas contra esta situação...

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Sergio Cortella

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